DebateUFPI
O conceito de universidade, em qualquer de suas vertentes, sempre leva consigo as noções de diálogo e de debate de ideias. Isto é tanto mais verdade quanto nos percebemos em uma sociedade que pluralizou os espaços de produção do conhecimento, o que tirou das universidades o sentido de exclusividade, mas ainda não o de primazia e precedência na produção do saber.
O sentido do termo diálogo remete à troca de ideias e opiniões, em ambiente de respeito às diferenças e à diversidade e, principalmente, na certeza de que a evocação de juízos e raciocínios não desencadeará reações de perseguição ou perda de oportunidades decorrentes da divergência e distinção de visões de mundo.
Por sua vez, o debate enseja a contestação, contenda e mesmo a controvérsia sobre determinada questão ou ponto de vista. O seu propósito é o de levar a uma conclusão, em que as ideias em discussão possam ser avaliadas e julgadas procedentes, no todo ou em parte.
Na Universidade Federal do Piauí, apesar dos muitos avanços, ressentimo-nos da aridez dos diálogos e da incompreensível escassez do debate institucional. Sob o signo do poder administrativo centralizado, coordenações, departamentos, centros de ensino e campi vivem a contradição de um crescimento que tutela, oprime e desgasta esses dois conceitos fundamentais da vida universitária: diálogo e debate.
A primazia da razão instrumental iluminada tem realizado dois movimentos. O primeiro, de expansão, aproveita as oportunidades de aplicação de recursos do Ministério da Educação para fazer desenvolver os números institucionais. O segundo opõe a vida institucional à administração central, que age como se os corpos técnico administrativo, docente e estudantil atrapalhassem seus ideais racionais e iluministas. “Nós fazemos, eles atrapalham, resistem e, pior, querem saber o porquê de tudo!”
Ao nos aproximarmos de mais um pleito eleitoral à Reitoria da UFPI, percebemos a necessidade de debater nossos destinos. Até aqui, do tênue movimento político, o que se depreende é que forças de situação e oposição têm muito em comum, no que diz respeito à incapacidade de colocar a instituição UFPI em primeiro lugar.
Disto deriva um risco, para nós indesejável, de produzir-se, ao invés do debate, uma série querelas, muitas delas de cunho pessoal, sobre números e comportamentos, sem a menor perspectiva de geração de novas ideias e compromissos sobre os efetivos destinos institucionais a serem trilhados no próximo mandato.
Nosso propósito então é debater ideias, propostas, construir de maneira coletiva um diagnóstico concreto de nossa vida institucional. Por onde começar? Segue um lista, totalmente aberta de questões que nos parecem dignas de debate:
• Melhoramos? sim, mas onde, e a qual custo?
• Quais os desafios institucionais de curto, médio e longo prazos que a nova reitoria terá de enfrentar?
• Como dar mais apoio à pós-graduação e à pesquisa científica e, ao mesmo tempo, fortalecer os cursos de graduação?
• Como criar uma dinâmica de atividades de extensão socialmente comprometidas com a realidade de um estado pobre e desigual?
• Como desenvolver áreas de excelência acadêmica e institucional e, com isto, posicionar a UFPI no centro do debate sobre o desenvolvimento do Piauí?
• Como reorganizar a vida institucional das unidades acadêmicas principais, de maneira a reconquistarmos o seu prestígio e centralidade na vida universitária?
• Como localizar e posicionar a UFPI nos contextos regional, nacional e internacional da produção de ciência e tecnologia?
• Como integrar a vida dos vários campi, a partir de suas especificidades, a uma proposta institucional coletiva?
• Como, enfim, melhorar nossas condições de trabalho internas (salas de aulas, equipamentos, burocracia, espaços de pesquisa, etc.)
Enfim, o debateUFPI é uma iniciativa aberta, mobilizada no sentido de agregar ideias, valores e o sentido de diversidade do debate acadêmico em nossa universidade, a partir das várias áreas de conhecimento, das inúmeras estruturas de seu fazer e dos valores que a democracia encerra: respeito, pluralidade e diversidade.
Partimos da premissa de que instituições têm alma e coração! Instituições acadêmicas, quando os perdem, oprimem, desgastam, amesquinham a vida individual de todos, que se sentem a um só tempo descrentes, desconfiados e descomprometidos.
Se perdemos alma e coração pelos desígnios da razão instrumental, temos a convicção serena de que o debate, a explicitação de valores e uma postura que alia democracia e república, podem trazer de volta a exultação do pertencimento, reconhecimento e respeito mútuos. Mais ainda, trarão a confiança institucional que nos fornecerá o sentimento seguro de que nossas apostas individuais, nossas carreiras enfim, encontrarão na Universidade Federal do Piauí um lugar de acolhimento e fermentação.